- Uma das melhores bandas da história do rock brasileiro é o RPM. E em seu disco de estréia, a banda formada pelo vocalista e baixista Paulo Ricardo, o tecladista Luiz Schiavon, o guitarrista Fernando Deluqui e o baterista Paulo P.A. Pagni mostra um som cheio de atitude, combinando o rock alternativo do R.E.M. e do The Smiths com uma inundação de sintetizadores, trazendo ainda as inteligentes e arrebatadoras letras de Paulo Ricardo, lotadas de boas tiradas e de críticas à sociedade. “Revoluções por Minuto” é, inclusive, o significado das letras do nome da banda.
- “Rádio Pirata” é a primeira faixa, já trazendo a sonoridade característica da banda, com uma letra bastante inteligente, mostrando o intuito do álbum; ironicamente, o RPM realmente invadiu as ondas do rádio país afora, se tornando um dos maiores fenômenos comerciais da música brasileira. “Olhar 43″ é um dos maiores clássicos da história do rock brasileiro, uma dançante música, com ótimo ritmo e boas variações, que traz um romantismo repleto de bom humor e com versos inusitados, retratando de forma perfeita o mundo boêmio dos jovens da época. A terceira, “A Cruz e a Espada”, é uma ótima música, melodicamente muito superior às anteriores, cujo instrumental impressiona positivamente por se mostrar muito bem trabalhado e de completo bom gosto.
- “A Estação no Inferno” é uma faixa mais densa, cujos sons sintéticos a tornam especialmente obscura; porém, é uma música bem mais fraca comparada às anteriores do álbum, tanto na letra quanto no instrumental. Um ritmo contagiante e ótimos riffs de guitarra constroem a quinta faixa, “A Fúria do Sexo Frágil Contra o Dragão da Maldade”, que retrata, como seu título já deixa transparecer, a luta e o sentimento feminista existente na época, com uma letra repleta de ironias.
- “Louras Geladas” é outra música clássica presente no “Revoluções por Minuto”, contando um inusitado romance, trazendo em sua estrutura instrumental ótimos riffs de guitarra e uma interessante linha de baixo. “Liberdade/Guerra Fria” peca na utilização exagerada de bateria eletrônica, o que torna o instrumental da faixa extremamente fraco, soando como uma demo mal feita e ainda esperando uma primeira edição; a letra é boa, mas o vocal acaba abafado pela má produção da faixa. “Sob a Luz do Sol” é muito superior à faixa anterior, cujo instrumental executa muito bem o clima obscuro da boa letra. “Juvenília” procura retratar com um clima depressivo a situação da política na época, com uma letra cheia de críticas pessimistas.
- A penúltima, “Pr’esse Vício”, contém como introdução um ótimo solo de baixo, que se transforma em um instrumental denso e obscuro, combinando muito bem com o tema que a canção trata. A última faixa do álbum, a clássica “Revoluções por Minuto”, com instrumental repleto de elementos eletrônicos, contém uma das melhores letras de Paulo Ricardo, que consegue criticar a situação política da época trazendo, ao mesmo tempo, veemência e sutileza. Poucos álbuns tiveram tanto êxito em retratar uma época como o primeiro do RPM.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Crítica RPM
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