O
ano é 1982, o início de uma década que ficaria conhecida pela
quantidade de bandas de rock brasileiras que nasciam e agitavam com
seus acordes por aí. Nesse ano, a Blitz lançou As
aventuras da Blitz,
primeiro álbum da banda, produzido por Mariozinho Rocha junto a
gravadora EMI-Odeon,
seguindo o já estourado compacto de Você
Não Soube me Amar que
arrebentou e vendeu mais de 1 milhão de cópias e
o LP As
Aventuras da BLITZ
somando mais 500 mil vendas.
Nessa época o grupo já fazia shows e por isso o entrosamento para a
gravação não foi um problema, fizeram
tudo assim: de primeira, numa tacada só. O disco é bem animado e trás um som ainda pouco definido em relação as categorias pop e rock se comparados a hoje. No entanto, é um clássico do "rock brasileiro de raiz" principalmente nessa linha entre final dos anos 70 e início dos 80.
Achei bacana
fazer uma análise de cada música, porque esse álbum além de
merecer por ser icônico e o primeiro de uma banda que tem a cara do
rock brasileiro como a Blitz, dessas que vocês só encontra no anos
80 numa época que a galera estava melhorando os acordes distorcidos
das guitarras aqui no Brasil, é único e diferente dos outros álbuns
em pequenas coisas, pequenos detalhes que trazem uma peculiaridade ao
álbum e a banda. Mas descobri que o blog 1001br.blogspot.com.br
já havia feito... e como a ideia é compartilhar conhecimento e
experiências musicais boas, fica aí a análise feita por eles que
eu, particularmente, achei muito válida:
"As Aventuras da Blitz"
1.
Blitz cabeluda. Começa com uma vinheta, tipo Sgt. Pepper’s:
“Espero que vocês gostem do disco, assistam o show, vejam o filme
e leiam o livro”. Clássico!
2.
Vai, vai Love. Fala da gata querendo ir pro Baixo Leblon e o cara
argumentando: “Eu disse que não era bom. Acho Leblon-todo-dia,
vicia. E você perde a classe, vadia. Desvaloriza o passe
maninha”.
3.
De manhã (aventuras submarinas). O cara acorda, preguiçoso, sol já
alto, e passa o dia sonhando com musas de cinema, enquanto fica de
bobeira. Antológica!
4.
Vítima do amor. Um rock romântico, cheio de vocais legais.
5.
O romance da universitária otária. De versos antológicos: “Era
boa em línguas, mas não sabia beijar”; “Ser ou não ser, o que
será que serei, o que será que eu vou ser”; “Eu não queria
falar, mas agora vou dizer: todo mundo quer ir pro céu, mas ninguém
quer morrer”.
6.
O beijo da mulher aranha. Nada especial, mas me amarro nela, acho que
pela melodia, os vocaizinhos, sei lá.
7.
Totalmente em prantos. “Todo vestido bonitinho e não tenho onde
cair. E sem nenhum lugar pra ir”.
8.
Eu só ando a mil. Começa com uma vinhetinha, também: “Vocês
ouvirão um som que abalará toda uma geração tchanraaammm Um som
que marcará toda uma época. Vocês verão Blitz no melhor papel de
sua carreira. Blitz amando, sofrendo, chorando e tocando como jamais
alguém ousou tocar em toda história do seu rádio, vitrola ou
gravador”. Perfeito! Uma das minhas preferidas.
9.
Mais uma de amor. Mega sucesso! “Essa é mais uma daquelas manjadas
estórias de amor que já aconteceram comigo, com você e com todo
mundo”. A do geme-gemiiiiiiiii, uuuuuuuuuu!!!
10.
Volta ao mundo. Boba, mas era engraçada. “Eu e meu amigo Julio.
Julio, o tal do Verne. Dando a volta ao mundo”.
11.
Você não soube me amar. “Sabe essas noites que você sai
caminhando sozinho, de madrugada, com a mão no bolso, na
ruuuuuaaaa”. Precisa falar mais?
12.
Ela quer morar comigo na lua. O disco ainda tinha isso, duas músicas
censuradas por causa de palavrões. Era a glória! No vinil, as duas
últimas músicas vinham arranhadas, pra gente não poder ouvir. E
essa nem sei por quê. Talvez porque falava “bundando”.
13.
Cruel, cruel, esquizofrenético blues. Essa é a outra censurada.
Fala de brilho... nos olhos. E da empregada que pegou no peru do
marido. No peru de Natal, lógico. Tá, tudo bem, lá pelas tantas
rola um “puta que pariu”.”
A
Blitz
Foi
uma das precursoras do rock nacional. O grupo foi formado em 1982,
na cidade do Rio de Janeiro.
Formada por Evandro
Mesquita,
Fernanda
Abreu,
Marcia
Bulcão, Ricardo
Barreto,
Antônio
Pedro Fortuna, William
"Billy" Forghieri,
e Lobão (depois
substituído por Juba) descreve
em seu site o nascimento da banda da seguinte forma: “Uma lona
começa a ser esticada sobre o pedaço de terra que separa Ipanema de
Copacabana. À sua sombra toma forma um espaço multicultural e
democrático que ficou conhecido como Circo Voador, Naquele palco
praiano(...) nasceu a Blitz”
Os anos de ouro do grupo foram de
1982 a 1986. Nesse tempo a BLITZ lançou 3 discos, fez centenas de
shows pelo país e pelo exterior, entre eles as antológicas
apresentações no Rock in Rio I, e se dissolveu às vésperas da
gravação do quatro LP. Voltou a se reunir e a se separar nos anos
90. Hoje com uma formação estável, junta há cerca de sete anos e
que já gravou três CDs e dois DVDs, a banda é composta por:
Evandro Mesquita (vocal, guitarra e violão), Billy (teclados), Juba
(bateria), Rogério Meanda (guitarra), Cláudia Niemeyer (baixo),
Andrea Coutinho (backing vocal) e Mariana Salvaterra (backing vocal)
seguem pelo Brasil com a turnê “Enquanto houver bambu, tem
flecha!”


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