segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Rock Brasileiro de Raiz



O ano é 1982, o início de uma década que ficaria conhecida pela quantidade de bandas de rock brasileiras que nasciam e agitavam com seus acordes por aí. Nesse ano, a Blitz lançou As aventuras da Blitz, primeiro álbum da banda, produzido por Mariozinho Rocha junto a gravadora EMI-Odeon, seguindo o já estourado compacto de Você Não Soube me Amar que arrebentou e vendeu mais de 1 milhão de cópias e o LP As Aventuras da BLITZ somando mais 500 mil vendas. Nessa época o grupo já fazia shows e por isso o entrosamento para a gravação não foi um problema, fizeram tudo assim: de primeira, numa tacada só. O disco é bem animado e trás um som ainda pouco definido em relação as categorias pop e rock se comparados a hoje. No entanto, é um clássico do "rock brasileiro de raiz" principalmente nessa linha entre final dos anos 70 e início dos 80.


Achei bacana fazer uma análise de cada música, porque esse álbum além de merecer por ser icônico e o primeiro de uma banda que tem a cara do rock brasileiro como a Blitz, dessas que vocês só encontra no anos 80 numa época que a galera estava melhorando os acordes distorcidos das guitarras aqui no Brasil, é único e diferente dos outros álbuns em pequenas coisas, pequenos detalhes que trazem uma peculiaridade ao álbum e a banda. Mas descobri que o blog 1001br.blogspot.com.br já havia feito... e como a ideia é compartilhar conhecimento e experiências musicais boas, fica aí a análise feita por eles que eu, particularmente, achei muito válida:


"As Aventuras da Blitz"


1. Blitz cabeluda. Começa com uma vinheta, tipo Sgt. Pepper’s: “Espero que vocês gostem do disco, assistam o show, vejam o filme e leiam o livro”. Clássico!

2. Vai, vai Love. Fala da gata querendo ir pro Baixo Leblon e o cara argumentando: “Eu disse que não era bom. Acho Leblon-todo-dia, vicia. E você perde a classe, vadia. Desvaloriza o passe maninha”.

3. De manhã (aventuras submarinas). O cara acorda, preguiçoso, sol já alto, e passa o dia sonhando com musas de cinema, enquanto fica de bobeira. Antológica!

4. Vítima do amor. Um rock romântico, cheio de vocais legais.

5. O romance da universitária otária. De versos antológicos: “Era boa em línguas, mas não sabia beijar”; “Ser ou não ser, o que será que serei, o que será que eu vou ser”; “Eu não queria falar, mas agora vou dizer: todo mundo quer ir pro céu, mas ninguém quer morrer”.

6. O beijo da mulher aranha. Nada especial, mas me amarro nela, acho que pela melodia, os vocaizinhos, sei lá.

7. Totalmente em prantos. “Todo vestido bonitinho e não tenho onde cair. E sem nenhum lugar pra ir”.

8. Eu só ando a mil. Começa com uma vinhetinha, também: “Vocês ouvirão um som que abalará toda uma geração tchanraaammm Um som que marcará toda uma época. Vocês verão Blitz no melhor papel de sua carreira. Blitz amando, sofrendo, chorando e tocando como jamais alguém ousou tocar em toda história do seu rádio, vitrola ou gravador”. Perfeito! Uma das minhas preferidas.

9. Mais uma de amor. Mega sucesso! “Essa é mais uma daquelas manjadas estórias de amor que já aconteceram comigo, com você e com todo mundo”. A do geme-gemiiiiiiiii, uuuuuuuuuu!!!

10. Volta ao mundo. Boba, mas era engraçada. “Eu e meu amigo Julio. Julio, o tal do Verne. Dando a volta ao mundo”.

11. Você não soube me amar. “Sabe essas noites que você sai caminhando sozinho, de madrugada, com a mão no bolso, na ruuuuuaaaa”. Precisa falar mais?

12. Ela quer morar comigo na lua. O disco ainda tinha isso, duas músicas censuradas por causa de palavrões. Era a glória! No vinil, as duas últimas músicas vinham arranhadas, pra gente não poder ouvir. E essa nem sei por quê. Talvez porque falava “bundando”.

13. Cruel, cruel, esquizofrenético blues. Essa é a outra censurada. Fala de brilho... nos olhos. E da empregada que pegou no peru do marido. No peru de Natal, lógico. Tá, tudo bem, lá pelas tantas rola um “puta que pariu”.


A Blitz


 Foi uma das precursoras do rock nacional. O grupo foi formado em 1982, na cidade do Rio de Janeiro. Formada por Evandro Mesquita, Fernanda Abreu,  Marcia BulcãoRicardo Barreto, Antônio Pedro FortunaWilliam "Billy" Forghieri, e Lobão (depois substituído por Juba) descreve em seu site o nascimento da banda da seguinte forma: “Uma lona começa a ser esticada sobre o pedaço de terra que separa Ipanema de Copacabana. À sua sombra toma forma um espaço multicultural e democrático que ficou conhecido como Circo Voador, Naquele palco praiano(...) nasceu a Blitz”

Os anos de ouro do grupo foram de 1982 a 1986. Nesse tempo a BLITZ lançou 3 discos, fez centenas de shows pelo país e pelo exterior, entre eles as antológicas apresentações no Rock in Rio I, e se dissolveu às vésperas da gravação do quatro LP. Voltou a se reunir e a se separar nos anos 90. Hoje com uma formação estável, junta há cerca de sete anos e que já gravou três CDs e dois DVDs, a banda é composta por: Evandro Mesquita (vocal, guitarra e violão), Billy (teclados), Juba (bateria), Rogério Meanda (guitarra), Cláudia Niemeyer (baixo), Andrea Coutinho (backing vocal) e Mariana Salvaterra (backing vocal) seguem pelo Brasil com a turnê “Enquanto houver bambu, tem flecha!”



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