Ao pensarmos, especificamente, em rock brasileiro nos anos 80, uma das primeiras bandas que surgem em nossa memória é Os Paralamas do Sucesso. Isso se deve ao sucesso monstruoso da banda nesses 30 anos de carreira. Nas estantes de Herbert Vianna (guitarra e vocal), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (bateria), uma infinidade de prêmios. Entre eles estão os Grammy’s Latinos, os Prêmios Multishow de Música Brasileira e alguns VMB’s, sendo, juntamente com a Pitty, um dos maiores vencedores da história da premiação musical da MTV.
INÍCIO
Os Paralamas do Sucesso, ou apenas Paralamas, é uma banda formada no Rio de Janeiro no final dos anos 70, mas que só surge, realmente, no começo dos anos 80 com a saída do baterista Vital - após a ausência do mesmo em uma apresentação na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – e a composição feita em referência ao ex-membro, conhecida como “Vital e sua Moto”.
Um cenário musical nacional dominado, principalmente, pela MPB e um contexto social muito turbulento. Uma juventude que buscava a renovação do pop-rock brasileiro. Influenciados por bandas punks inglesas, não importava a técnica, saber cantar, saber tocar. Era o nu e cru na melhor interpretação do “faça você mesmo”. A válvula de escape para uma geração que começava a expressar seus desejos de formas variadas. A vontade de construir um país melhor é explícita em letras cantadas em português. A valorização do que é nacional e a hibridação musical. Diferentes ritmos passam a compor uma única música e um dos maiores exemplos é o álbum “Selvagem?” (1986) dos Paralamas.

O DIVISOR DE ÁGUAS
Depois de tantos hits inspirados no rock inglês, tais como “Meu Erro”, “Romance Ideal” e “Mensagem de Amor” do álbum anterior, “O Passo de Lui” (1984), marcados por influências do Ska, a utilização de distorções na guitarra de Herbert, a forma do João Barone tocar parecida com o Stewart Copeland, baterista do grupo The Police, Os Paralamas do Sucesso inovaram no LP “Selvagem?”. Ficou nítida a aproximação da banda com a MPB nas canções “Você”, de Tim Maia, “A Novidade”, composta junto com Gilberto Gil, “Melô do Marinheiro” e “Selvagem”. Além disso, percebe-se também a influência dos ritmos africanos e latinos, como no caso das faixas “Teerã” e “Marujo Dub”, um som instrumental que nos remetem as músicas jamaicanas.
Sem deixar de lado o rock, o ska e o reggae que marcaram a trajetória da banda, as músicas passaram a ter mais força e cunho social, como é o caso de “Alagados”.
“Palafitas, trapiches, farraposFilhos da mesma agonia
E a cidade que tem braços abertos
Num cartão postal
Com os punhos fechados na vida real
Lhe nega oportunidades
Mostra a face dura do mal”
Embora tenha causado um leve espanto nos críticos e fãs, o álbum foi muito bem aceito, refletindo diretamente nas vendas com mais de 750 mil cópias espalhadas Brasil afora.

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